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O Carnaval precisa acabar! Será?

  • Foto do escritor: Niágara R. B. Scherer
    Niágara R. B. Scherer
  • 9 de mar.
  • 2 min de leitura

Você gosta de Carnaval? 


desfile de carnaval, fantasias de carnaval

O carnaval tem suas raízes na Grécia e Roma da Antiguidade, quando se faziam os rituais de reconhecimento e culto aos Deuses subversivos Dionísio e Saturno. Com o tempo, a tradição foi incorporada no calendário católico, mas na prática nunca perdeu sua essência: ser um espaço validado socialmente para a vivência e expressão de emoções e desejos reprimidos. 


Talvez só a ideia do Carnaval já seja aversiva para muitas pessoas desde o seu início, pois até nas histórias mitológicas de Dionísio já percebemos o quanto este Deus era menosprezado e desprezado. Porém, continuava ainda a ser um Deus e, como tal, exigia seu espaço de reverência. E quando as pessoas não lhe direcionavam o devido reconhecimento, ele causava problemas - dor, caos, morte, loucura. 


Mas o que isso tem a ver com o Carnaval que conhecemos hoje? A nível psicológico, tem tudo a ver! 


Para a Psicologia Profunda Junguiana, o Carnaval é uma válvula de expressão da Sombra Coletiva. É o momento em que nos permitimos entrar em contato com emoções e conteúdos reprimidos - expressando sexualidade, excentricidade, raiva, desinibição, excessos, crítica social, desejos. 


Quando não conseguimos encontrar espaço para realizar essa catarse emocional e fazer a integração com nossa Sombra, corremos o risco de sermos sucumbidos por ela. 


As emoções e conteúdos psíquicos que não integramos - ou seja, reconhecemos em nós e nos permitimos vivenciar de alguma forma - tomam nossa consciência por conta própria, contra a nossa vontade, de forma destrutiva. 


Por isso vemos tanto ódio, violência, agressão ao outro - principalmente direcionados a quem é diferente, que foge da normatividade. 


Porque a Sombra que reprimimos - a parte de nós que não é aceita e que deseja se manifestar no mundo - é projetada no outro, porque o outro tem coragem de expressar algo que eu não consigo, o que eu acho que não devo. 


Então, eu sinto ódio pelo outro por ser um espelho inconveniente para mim. 


Então, a nível individual precisamos também encontrar espaços na nossa vida para entrar em contato com esses conteúdos de Sombra (reconhecer a importância de Dionísio) integrá-los e expressá-los, de forma saudável. Para que eles não retornem para nós através de sofrimento, seja para nós ou para outras pessoas.


E a nível coletivo, temos o privilégio de viver no país do Carnaval. Então, cada um a seu jeito - seja em uma festa, nas ruas ou até refletindo sobre tudo isso em casa - aproveite essa oportunidade para olhar para si mesmo e se pergunte:  


Quem você gostaria de ser nesse carnaval? Talvez isso fale muito sobre você. 


Carnaval é cultura, é expressão, é ritual, é integração, é permissão para existir do jeito que se é, por inteiro. 


Quer saber mais? Confira essas referências de leitura 😊🌸

Dioniso no Exílio: Sobre a Representação da Emoção e do Corpo - Rafael López-Pedraza 

A Sombra em Nós - Verena Kast 

O Corpo como Sombra - John P. Conger



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© 2025 por Niágara R. B. Scherer | Psicóloga | CRP: 07/42963

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