Transtornos alimentares: um risco silencioso à vida
- Niágara R. B. Scherer
- 5 de jun.
- 3 min de leitura
02 de junho é considerado o Dia Mundial de Conscientização sobre os Transtornos Alimentares.
A conscientização sobre este tema é de extrema importância e pode salvar vidas! Por isso, escrevi um artigo abordando a temática. O conteúdo foi divulgado no jornal impresso Diário de Santa Maria.
Clique aqui e confira o artigo divulgado no jornal Diário de Santa Maria. Ou confira abaixo o artigo completo.
Transtornos alimentares: um risco silencioso à vida

De acordo com a National Eating Disorders, cerca de 70 milhões de pessoas no mundo são afetadas por algum transtorno alimentar e, conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria, cerca de 15 milhões seriam brasileiros.
Além de impactarem gravemente a saúde física, podendo levar a condições vitais extremas, os transtornos alimentares acarretam profundo sofrimento psíquico ao indivíduo, podendo levar a depressão severa e até suicídio.
Entender a gravidade e profundidade do tema é fundamental e pode salvar vidas. Em grande parte dos casos, os transtornos alimentares são silenciosos e vividos de forma muito solitária, identificados pelas pessoas ao redor apenas pelo efeito que causam: geralmente na magreza extrema ou obesidade.
E quando esses efeitos surgem, podem evocar do círculo social reações prejudiciais ao indivíduo em sofrimento, levando-o a uma piora no quadro em vez de ajudá-lo. No caso da magreza extrema, é comum ser elogiada, inclusive se a pessoa for mulher. Isso reforça o comportamento adoecido, incentivando a pessoa a continuar se auto agredindo.
Na compulsão alimentar, é comum estar associada a quadros de obesidade ou excesso de peso e, pode provocar comentários inapropriados sobre o corpo ou a “força de vontade” da pessoa em sofrimento.
A compulsão é uma força inconsciente que se apodera do indivíduo, perdendo o controle sobre si mesmo e isso causa profundo sofrimento. O julgamento alheio sobre esta pessoa não parar “porque não quer” é extremamente insensível e prejudicial.
A falta de apoio adequado e sensível é um dos fatores primordiais que levam ao agravamento do quadro de sofrimento mental, podendo desenvolver comorbidades como depressão e até induzir ao suicídio. Uma pessoa que passa por um sofrimento mental não deve ser julgada, deve ser acolhida.
Realização de dietas restritivas, controle alimentar rígido, excesso no controle do peso corporal ou na realização de procedimentos estéticos, aumento ou diminuição significativa de peso, são alguns dos sinais e sintomas que podem indicar algum transtorno alimentar. Às vezes, os sintomas são sutis como, por exemplo, uma pessoa que sempre vai ao banheiro após uma refeição. Ela pode estar forçando a eliminação do alimento. Então, é importante estar atento.
Buscar informações sobre o tema para poder entender sua gravidade é essencial. Demonstrar sensibilidade com o sofrimento vivenciado, se colocar disponível para escutar sem julgamentos, acolher com paciência e afeto, auxiliar na busca de profissionais ou instituições de atendimento psicológico, são formas importantes de auxiliar.
O indivíduo que passa por um transtorno carrega também a culpa e o auto julgamento, o que só agrava seu sofrimento. Isso o impulsiona para um isolamento emocional, o que piora ainda mais seu quadro. Quando ele se sente acolhido e possui espaço de escuta afetiva, ele consegue ter força para lutar contra essa dor e isso pode, inclusive, salvar a sua vida.
Niágara R. Braga Scherer | CRP: 07/42963
Psicóloga, Jornalista e Arteterapeuta Junguiana em formação. Baseia seu trabalho na Psicologia Profunda Junguiana, desenvolvida pelo psiquiatra Carl Gustav Jung, que considera a integralidade e complexidade do ser humano. Além da prática clínica com adultos e idosos, também atua em organizações com treinamentos voltados à promoção da Saúde Mental e Autoconhecimento e Bem-Estar. Confira mais em www.niagarapsi.com.



Comentários